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Secretaria de Saúde de Londrina elabora protocolo para uso do canabidiol por pessoas autistas

Uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde apresentou ao prefeito Tiago Amaral na última semana um protocolo técnico elaborado para o embasamento de um projeto de lei que será encaminhado à Câmara de Vereadores, a fim de regulamentar o acesso de pacientes com transtorno do espectro autista ao medicamento de canabidiol isolado. Se aprovado pelo legislativo, o protocolo será instituído para conceder acesso ao medicamento, visto como esperança para a qualidade de vida de centenas de pacientes. O estudo prevê a prescrição em duas concentrações (50 e 100 mg/mL), apenas para pacientes que tiverem indicação médica e atenderem aos critérios estabelecidos.

Em reunião com a equipe técnica da Secretaria, o prefeito Tiago Amaral elogiou o estudo realizado. Ele estabelece o fluxo de avaliação e atendimento dos pacientes, critérios de indicação do medicamento, as etapas de monitoramento do uso da medicação e critérios para a manutenção da prescrição, além da previsão de custos para a compra do remédio. “Desde o ano passado, este é um trabalho muito forte que a gente tem feito, com uma atenção especial às pessoas com transtorno do espectro autista. Nosso time é formado por especialistas, e eu tenho a honra de anunciar, ao lado dele, que iremos encaminhar uma legislação estruturada e muito bem debatida para a Câmara de Vereadores”, anunciou. 

O estudo apresentado esclarece que a medicação não tem princípio psicoativo, e é validado tanto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quanto pelo Comitê Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o protocolo formulado, ele pode ser indicado para o controle de agressividade, irritabilidade e hiperatividade intensas associadas ao TEA. Em Londrina, até o momento o uso do canabidiol é restrito ao tratamento de epilepsias refratárias, muitas vezes associadas ao transtorno do espectro autista – neste caso, o acesso se dá por meio da regulamentação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). 

Caso seja aprovada a nova legislação, o estudo realizado pelo município prevê que, inicialmente, o canabidiol seja indicado para aproximadamente 350 pacientes, principalmente crianças atendidas pela rede municipal de saúde. Em uma projeção de cinco anos, a estimativa sobe para 1.750 pessoas com potenciais benefícios por meio do uso da medicação, a um custo anual projetado em R$ 9 milhões. 

De acordo com a secretária municipal de Saúde, Vivian Feijó, o protocolo foi desenhado com ênfase no atendimento infantil, buscando melhorar a qualidade de vida de crianças com TEA que necessitam de tratamentos de longo prazo. “Nossa prioridade é reduzir o sofrimento das crianças e das famílias. Toda prescrição de medicamento precisa ser feita com muita responsabilidade, e com o protocolo teremos o instrumento para isso”, explicou.  

O argumento é reforçado pela neuropediatra Ana Gobbi, uma das responsáveis pela elaboração do documento. “A criação de um protocolo é fundamental por razões clínicas, éticas, legais e de gestão em saúde pública. Não se trata apenas de disponibilizar um medicamento, mas de garantir uso seguro, eficaz e baseado em evidências”, enfatizou.

A médica acrescentou que o documento é resultado de reuniões técnicas, análise de avanços científicos comprovados e discussões sobre os potenciais benefícios para o tratamento dos pacientes. “O público-alvo são pacientes com diagnóstico já estabelecido de Transtorno do Espectro Autista, incluindo crianças a partir de 3 anos e adultos, que não obtiveram resposta satisfatória com os tratamentos convencionais”, adiantou. 

Além dela, participaram da formulação do protocolo a diretora geral de saúde, Rita Domansky, a coordenadora da assistência farmacêutica, Daniele Zampar, e a assessora jurídica de gabinete, Lilian Soares. O grupo ainda contou com o apoio de uma equipe consultiva qualificada.  

Foto ilustrativa

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