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Rede de proteção atende cerca de 4,6 mil crianças e adolescentes em Londrina

Aproximadamente 4,6 mil crianças e adolescentes são atendidos atualmente pelos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), iniciativa coordenada pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) em Londrina. A ação é executada em parceria com 12 organizações da sociedade civil, está presente em 24 unidades distribuídas entre as zonas urbana e rural do município.

Integrante da Proteção Social Básica do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), o serviço tem como objetivo fortalecer vínculos familiares e comunitários, prevenir situações de vulnerabilidade social e oferecer oportunidades de desenvolvimento por meio de atividades educativas, culturais, esportivas e de lazer.

Foto: Emerson Dias / N.Com

Segundo o secretário municipal de Assistência Social, Claudio Melo, os serviços representam uma importante estratégia de proteção à infância e à adolescência. “Esses serviços são fundamentais para garantir que nossas crianças e adolescentes tenham acesso a oportunidades de desenvolvimento, convivência saudável e proteção social”, destacou.

As atividades são conduzidas por educadores sociais e desenvolvidas de forma contínua, a partir da realidade e dos interesses dos participantes. Temas como saúde, direitos humanos, cidadania, meio ambiente, inclusão digital, projeto de vida e preparação para o mundo do trabalho fazem parte dos percursos socioeducativos. Além das oficinas e atividades em grupo, o serviço também oferece acompanhamento às famílias, orientação sobre direitos, encaminhamentos para outras políticas públicas e alimentação aos participantes.

Para Adriana da Cruz Barrozo, gerente de Garantia de Direitos Socioassistenciais à Criança, ao Adolescente e Juventude da SMAS, a parceria com as organizações da sociedade civil é essencial para ampliar o alcance da política pública. “Essa rede de parceiros é fundamental para levarmos atendimento de qualidade a todas as regiões de Londrina, garantindo que cada criança e adolescente tenha acesso a espaços onde possam refletir sobre suas vivências e oportunidade para reconstruir suas histórias de vida”, afirmou.

Foto: Emerson Dias / N.Com

Instituto União para a Vitória – Entre as instituições parceiras da SMAS está o Instituto União para a Vitória, localizado no Jardim União da Vitória II. Há 26 anos, a organização desenvolve ações voltadas ao fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Atualmente, atende 375 crianças e adolescentes de 6 a 15 anos por meio do SCFV. Desde 2018, o trabalho é realizado em parceria com a pasta por meio do projeto “Construindo Caminhos”.

O território onde o instituto está inserido enfrenta desafios relacionados à violência doméstica, violência urbana, tráfico de drogas e desemprego. Nesse contexto, o espaço se tornou uma referência para as famílias da comunidade.

A coordenadora da instituição, Patrícia Rodrigues, explicou que o trabalho começou com ações voltadas à geração de renda para mulheres e foi ampliado ao longo dos anos para atender crianças, adolescentes e suas famílias. “Atendemos crianças e adolescentes por meio de atividades esportivas, culturais, educativas e recreativas. Nosso objetivo é fortalecer vínculos, promover cidadania e criar oportunidades para que eles construam novas perspectivas de vida”, ressaltou.

O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, em período matutino e vespertino. Além dos conteúdos socioeducativos, os participantes têm acesso a oficinas de esportes, dança, coral, balé, artes, taekwondo, taiko, contação de histórias, agentes mirins e artes circenses. Outro diferencial da instituição é a garantia da segurança alimentar. Todos os atendidos recebem três refeições por turno, incluindo café da manhã, almoço, frutas e lanche da tarde.

Foto: Emerson Dias / N.Com

Arte e cultura – As oficinas artísticas estão entre as atividades mais procuradas pelos educandos. Um dos coletivos que oferece essas atividades é o “Histórias de Quem Conta”, com a oficina “Arte e Cultura”. Nas segundas, terças e quartas-feiras, os alunos produzem peças manuais utilizando tinta e material reciclado, por meio das orientações do educador social Douglas de Lima.

Ao longo do ano, os participantes desenvolvem habilidades de desenho, pintura, reciclagem, esculturas e produções inspiradas em temas ligados à comunidade e à cultura local. Segundo Lima, a arte é uma ferramenta para estimular a criatividade e fortalecer os laços familiares. “O projeto nasceu da realidade do bairro. Muitas vezes as histórias da comunidade acabam se perdendo. Nosso objetivo é resgatar essas memórias, valorizar a cultura local e aproximar as crianças de suas famílias”, explicou.

Foto: Emerson Dias / N.Com

A diversidade das atividades é um dos aspectos que mais chama a atenção dos participantes, como contou a participante Emilly Cândido, de 11 anos. “A gente faz muitas coisas diferentes. O professor ensina e depois cada um faz do seu jeito, eu gosto porque sempre tem alguma coisa nova para aprender”, contou uma das crianças atendidas pelo serviço. Atualmente, o grupo também prepara maquetes e produções artísticas inspiradas na Copa do Mundo, que serão apresentadas em uma exposição ao final do ano.

Lorena Machado e Lorena Santos. Foto: Emerson Dias / N.Com

Além das atividades esportivas e culturais, os educandos participam de ações voltadas à cidadania, convivência e respeito às diferenças. Temas como bullying são trabalhados por meio de rodas de conversa, dinâmicas e apresentações desenvolvidas pelas próprias crianças. “A gente fez apresentações e aprendeu que não pode ofender as pessoas nem chamar alguém por apelidos que machucam”, relatou a participante Lorena dos Santos, de 10 anos. Para a educanda Lorena Machado, de 8 anos, o espaço também é uma oportunidade de fortalecer amizades. “Eu gosto de tudo aqui. Tem oficinas, brincadeiras e também minhas amigas. É bem legal porque a gente aprende e se diverte ao mesmo tempo”, afirmou.

Foto: Emerson Dias / N.Com

Entre as histórias que simbolizam o impacto do trabalho realizado pelo Instituto União para a Vitória está a de Ricardo Soares, que frequentou a instituição dos nove aos 18 anos e hoje atua como educador no Instituto. Atualmente estudante de Educação Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ricardo considera a experiência uma forma de retribuir tudo o que recebeu durante a infância e adolescência. “Eu vivi muita coisa aqui. O instituto foi muito importante para mim e me trouxe muita bagagem. Poder voltar agora como educador e ajudar outras crianças é muito gratificante”, contou.

Escola Social Marista Irmão Acácio – A Escola Social Marista Irmão Acácio, localizada na zona norte do município, é outra organização parceira da SMAS na execução do SCFV. Desde 2004, a instituição desenvolve atividades socioeducativas voltadas a crianças e adolescentes e, atualmente, atende 375 participantes com idades entre 6 e 17 anos.

Foto: Divulgação

Segundo a coordenadora do projeto Conviver, Aline Querino, o trabalho é desenvolvido de acordo com a faixa etária dos educandos, buscando estimular o desenvolvimento integral de cada participante. “As atividades são organizadas a partir da metodologia de projetos, respeitando a idade e as necessidades de cada grupo. Trabalhamos aspectos relacionados à convivência, cidadania, esporte, cultura, direitos e preparação para o futuro”, descreveu.

Entre as ações oferecidas estão oficinas de artes, leitura e contação de histórias, rodas de conversa sobre direitos, jogos cooperativos, atividades esportivas como vôlei, badminton, tênis de mesa, tênis de quadra e taekwondo, além de iniciativas voltadas ao empreendedorismo e ao mundo do trabalho. “Nosso objetivo é proporcionar experiências que contribuam para o desenvolvimento social, emocional e educacional das crianças e adolescentes, fortalecendo habilidades que serão importantes ao longo da vida”, destacou a coordenadora.

Atualmente, a instituição mantém nove projetos em andamento: Poesia, Alegria, Mov +, ArtSã, Una, Renascer, Mosaico, Start Jovem e Esporte para Todos. As atividades ocorrem de segunda a sexta-feira, nos períodos da manhã e da tarde, e contam com uma equipe formada por 24 profissionais, entre eles 10 educadores sociais e quatro integrantes da equipe técnica.

Foto: Divulgação

Para Querino, o acompanhamento dos participantes ocorre por meio de atendimentos individuais e avaliações contínuas do desenvolvimento de cada educando. “Mais do que oferecer atividades, buscamos acompanhar a trajetória de cada criança e adolescente, identificando potencialidades, desafios e oportunidades de crescimento”, afirmou.

Entre os resultados alcançados no último ano estão o preenchimento de todas as vagas ofertadas, a conquista do Selo Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, a premiação de três projetos no Prêmio Educador Inovador Marista e o quarto lugar conquistado pela equipe masculina de vôlei nas Olimpíadas Maristas de Brasília. “Esses reconhecimentos refletem o comprometimento da equipe e mostram o impacto que o serviço tem na vida dos educandos e de suas famílias”, concluiu.

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