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Professores da rede municipal de Londrina participam de live sobre prevenção ao abuso infantil

Dentro do rol de atividades promovidas em Londrina pela Campanha Maio Laranja, os professores da rede municipal de ensino participam, nesta quinta-feira (21), de uma palestra com o tema “Se tem silêncio não tem abuso?”. A atividade será transmitida ao vivo, a partir das 19h, pelo canal no Youtube da Gerência de Formação Continuada da Secretaria Municipal de Educação (SME). O tema será abordado em uma conversa entre a secretária da pasta, Thatiane Lopes de Araújo, e a promotora de Justiça do MPPR Susana de Lacerda. 

A Campanha Maio Laranja é promovida em todo o país, com o objetivo de conscientizar e engajar a sociedade no combate ao abuso e à exploração sexual infantil. Em Londrina, várias ações estão sendo desenvolvidas ao longo do mês, como rodas de conversa, blitze educativas, panfletagens e outras atividades. As iniciativas são promovidas pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), com apoio e envolvimento das secretarias municipais de Educação (SME), Assistência Social (SMAS), Defesa Social (SMDS), Saúde (SMS), de Cultura (SMC), Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Conselho Tutelar e outras entidades locais.  

Divulgação / SME

Segundo a secretária municipal de Educação, Thatiane Lopes de Araújo, o objetivo da live desta quinta-feira (21) é proporcionar aos docentes informações importantes para a prevenção de abusos sexuais nas crianças. “A proposta é uma ação em conjunto com o Ministério Público, somando forças para que a orientação seja a melhor forma de prevenção. Serão 40 minutos de fala e mais 20 minutos de perguntas, então além de formação teremos um espaço para tirar dúvidas e obter informações”, detalhou. 

A secretária complementou que é preciso garantir um olhar atento às crianças, e o Maio Laranja reforça esse cuidado. “É um mês com campanhas voltadas a prevenção, orientação e principalmente falas lúdicas com as crianças em oficinas e palestras. A transmissão ao vivo é destinada ao público que atua diretamente com os alunos, para que o professor possa assistir e registrar informações muito importantes para esse cuidado”, incluiu. 

Após dez anos atuando diretamente na área de crimes contra crianças e adolescentes, a promotora Susana de Lacerda, titular da 24ª Promotoria de Justiça de Londrina, tem como foco as áreas de Assistência Social, Direitos humanos, Educação e Saúde Pública. Ela explicou que, dentre os casos que chegam ao Ministério Público, a maioria dos abusos sexuais ocorre contra meninas menores de 14 anos de idade e no âmbito das suas residências. “Especialmente cometidos por pessoas muito próximas, como pai, avós, padrastos, amigos da família. Por isso, a escola precisa ser um local pronto para receber essas denúncias. Então é importante falarmos desse assunto nas escolas, porque muitas vezes a revelação de um abuso sexual que, em sua maioria, infelizmente, ocorre dentro da residência de crianças e adolescentes, é revelado na escola”, apontou. 

A promotora adiantou que a palestra vai discutir e orientar sobre como o profissional da área de educação deve receber uma revelação espontânea de abuso sexual e qual encaminhamento dar para esses relatos. “Como comportar-se e agir diante dessas revelações, para que essa criança e esse adolescente, diante do trauma de um abuso, não se sintam ainda mais culpabilizados, para que a gente possa fazer cessar essa violência. Nós, enquanto adultos, temos que saber acolher as crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual, para que possamos protegê-las. Se não soubermos como falar disso e como protegê-las, não podemos trabalhar na prevenção e no enfrentamento. Saber receber uma denúncia, saber encaminhar uma denúncia e saber se comportar diante de uma revelação espontânea de uma criança e adolescente é fundamental na prevenção e no enfrentamento”, ressaltou.  

Orientação e reflexão – A confiança é um pilar importante para que a criança, ou adolescente, se sinta seguro e consiga revelar que sofre abusos e violência sexual. Por isso, as unidades escolares, que atendem cerca de 45 mil estudantes, oferecem atividades pedagógicas, momentos de reflexão e ações de orientação que constroem e fortalecem os vínculos entre os professores e os alunos. E, muitas vezes, são nesses espaços que crianças e adolescentes encontram segurança para relatar situações de sofrimento, contou a coordenadora da Mediação Escolar da SME, Leticia Branco. “A informação e a conversa aberta possibilitam que crianças, adolescentes, familiares e profissionais da educação reconheçam situações de vulnerabilidade e saibam como agir diante de casos suspeitos”, afirmou. 

Na estrutura da SME, dentro da Gerência de Educação Especial, existe a Coordenadoria de Mediação e Ações Intersetoriais (COMAI), setor estratégico de prevenção, acompanhamento e articulação das demandas relacionadas à proteção de crianças e adolescentes que integram a rede municipal de ensino. Essa coordenadoria conta com o Professor Mediador, profissionais que oferecem suporte às unidades escolares nos casos de suspeita ou confirmação de violência sexual, abuso sexual e demais violações de direitos. 

Dentro do Fluxo de Notificação de suspeita de abuso no ambiente escolar, a equipe da unidade recebe e acolhe o aluno que relata, de forma espontânea, ser vítima de abuso sexual. Essa notificação é encaminhada para a COMAI, que analisa o risco global e notifica o fato, por meio do encaminhamento da ficha SINAN, ao Conselho Tutelar de referência e ao setor de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde.  

O Professor Mediador também monitora, junto com o Conselho Tutelar e os demais serviços que compõem a Rede Intersetorial, a efetividade das medidas de proteção adotadas. “A equipe de Mediação Escolar também realiza diversas ações preventivas nas unidades escolares do município. As atividades buscam sensibilizar estudantes, famílias e educadores sobre a relevância do cuidado coletivo. Apesar do mês de maio concentrar ações mais intensas relacionadas à campanha, o trabalho de prevenção, orientação e promoção da cidadania se dá continuamente ao longo do ano, de acordo com as necessidades apresentadas pelas unidades escolares, reafirmando o compromisso da rede municipal com a defesa e a garantia dos direitos das crianças e adolescentes”, acrescentou a coordenadora.

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