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Prefeitura e Fiocruz preparam ampliação de combate à dengue em Londrina

O combate à dengue e outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti ganhará um reforço importante nos próximos meses, em Londrina: os insetos protegidos pela bactéria Wolbachia serão inseridos nas regiões que ainda não tiveram a cobertura por esse método, com o objetivo de reduzir a circulação de vírus que fazem mal para a saúde das pessoas. 

Equipes da Saúde estiveram reunidas com profissionais da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da empresa Wolbito do Brasil / Foto: Rakelly Calliari / NCom

Para fazer o planejamento integrado deste trabalho, equipes da Vigilância em Saúde estiveram reunidas na manhã desta terça-feira (19) com profissionais da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da empresa Wolbito do Brasil, que executa o manejo de reprodução e o programa de implementação do mosquito protegido contra o vírus da dengue. No encontro, foram apresentadas informações técnicas sobre a metodologia, que já cobre aproximadamente 60% do município de Londrina e agora será estendida para novas regiões da cidade.  

De acordo com o assessor da vice-presidência de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Diogo Chalegre, além de estar presente em 15 países do mundo, o método já está implantado em 16 municípios brasileiros e agora será ampliado para cerca de 50 novas cidades, sob orientação do Ministério da Saúde. “Aqui em Londrina, a gente percebeu que o trabalho na primeira etapa de implementação do método Wolbachia foi muito bom. A população entendeu e aceitou a tecnologia, o que reforça, também, o excelente trabalho da equipe de agentes da Prefeitura na divulgação dessa informação”, sinalizou.  

A diretora-geral da Secretaria Municipal de Saúde, Rita de Cássia Domansky, comemorou a extensão da cobertura em Londrina e avaliou como produtivo o encontro de alinhamento com os órgãos que irão fornecer os mosquitos. “Nós já tivemos uma área de cobertura muito boa com a primeira fase, e ter esta segunda parte será muito importante. Não é mais um programa, é uma política pública que veio para ficar”, afirmou. 

Soltura de mosquitos Wolbachia. Foto: Emerson Dias / arquivo NCom

Como funciona 

A bactéria Wolbachia é comum na natureza e está presente em insetos como libélulas, moscas e borboletas. Uma pesquisa realizada na Austrália identificou que, ao retirar o microrganismo naturalmente presente na mosca da fruta e transferi-lo para o Aedes aegypti, isto impedia que os vírus da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela urbana se desenvolvessem dentro dele. “Quando o nosso mosquito cruza com o mosquito que tem na localidade, o filhote nasce com Wolbachia”, explicou o gerente de Implementação da Wolbito do Brasil, Gabriel Sylvestre Ribeiro. A empresa mantém a maior biofábrica neste segmento em todo o mundo, localizada em Curitiba. 

“Então a gente faz essas liberações por algumas semanas e a gente troca os mosquitos que conseguem transmitir doenças pelo Wolbito, que tem a bactéria Wolbachia e não consegue mais transmitir dengue, zika e chikungunya”, detalhou. Em Londrina, a previsão é de que a segunda etapa do trabalho de implementação em campo aconteça a partir do segundo semestre, com execução pelas equipes da Vigilância em Saúde do município. Nas regiões que já receberam o método, não é necessária uma nova soltura, já que a reprodução dos mosquitos protegidos pela bactéria se torna natural no ambiente.  

Saiba mais 

Foto: Rakelly Calliari / NCom

Método é complementar  

A diretora de Vigilância em Saúde, Fernanda Fabrin, destacou que a utilização dos Wolbitos é uma tecnologia complementar a outras ações já implantadas no município, e que é fundamental que a população siga observando os cuidados para eliminar possíveis criadouros do mosquito da dengue. 

“As novas tecnologias são bem-vindas para que a gente consiga diminuir os números. Mas é uma soma de tecnologias – as atividades de cuidado no domicílio, para não ter os criadouros, as pessoas cuidarem nas suas casas, é um trabalho que precisa ser contínuo e ele faz toda a diferença, somado às tecnologias”, considerou. 

A continuidade do trabalho de campo também foi reforçada pelo gerente de Vigilância Ambiental, Nino Ribas, que ressaltou a importância do controle sobre os pontos de água parada, associado a novas tecnologias. “Londrina saiu na frente com o uso da Wolbaquia, saiu na frente com a ampliação do método de uso de armadilhas ovitrampas, e com o georreferenciamento dos casos e a predição de casos em parceria com as universidades, por exemplo”, citou. Ele explicou que este conjunto de ações se associa ao efeito sazonal para que atualmente o número de casos da doença esteja significativamente reduzido no município. Neste ano, a incidência da doença tem sido 70% inferior, na comparação com o mesmo período em 2025.

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