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Londrina aplica nova vacina contra a dengue em agentes que atuam na prevenção e controle da doença

Prezando pela saúde dos profissionais que trabalham diretamente nas ações de prevenção, controle e enfrentamento à dengue em Londrina, a Prefeitura iniciou nesta semana a aplicação da nova vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan – a vacina tetravalente Butantan DV (dengue atenuada). Trata-se da primeira vacina 100% brasileira e também a primeira de dose única do mundo, que começou a ser distribuída pelo governo federal nas últimas semanas. No município, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), conforme preconizado pelo Ministério da Saúde, já está imunizando os Agentes de Combate às Endemias (ACEs) e os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), profissionais que atuam diretamente nas ações englobadas nesse segmento, bem como vacinadores das unidades de saúde municipais.

Os trabalhos tiveram início na última segunda-feira (9) e, ao todo, 70 doses foram aplicadas até agora. A prática está sendo gradual, de acordo com o recebimento do insumo repassado pelo Estado às unidades. Inicialmente, a meta vacinal é de 90% da população-alvo, o que significa que cerca de 1.800 trabalhadores da atenção primária em saúde de Londrina poderão ganhar a dose única nesta etapa.

Foto: SMS / divulgação

A expectativa da SMS é ampliar a estratégia de imunização contra a dengue, à medida que novas doses sejam disponibilizadas e conforme as orientações do Ministério da Saúde. O governo federal prevê ampliar, no segundo semestre de 2026, o alcance para a faixa etária de 15 a 59 anos.

Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro de 2025, a vacina brasileira possui eficácia geral média de 78,1%, e altíssimo poder imunizante contra casos graves, ultrapassando 90% nesse quesito e podendo solucionar as formas mais intensas e de hospitalizações. É tetravalente, ou seja, protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), sendo eficaz por pelo menos cinco anos após a aplicação. Isso representa uma importante ferramenta para reduzir o risco de epidemias, bem como de casos graves e óbitos associados à doença, levando em conta que o Brasil enfrenta há várias décadas surtos sucessivos com milhões de casos confirmados da doença.

Por muitos anos, a comunidade científica tentava encontrar solução para a doença no país, com estudos voltados a essa finalidade desde 2009. O imunizante foi administrado em mais de 16 mil pessoas no ensaio clínico conduzido entre 2016 e 2019. De 2000 para cá, mais de 18 mil pessoas faleceram em decorrência de dengue no Brasil e 25 milhões já contraíram a doença. Nas Américas, houve aumento de 1,5 milhão de casos na década de 1980 e de 16,2 milhões entre 2010 e 2019. A dengue é uma das principais causas de doenças graves e mortes entre crianças em países da Ásia e América Latina.

Foto: SMS / divulgação

Em Londrina, a imunização pela vacina contra a dengue teve início em fevereiro de 2024, com a aplicação da vacina japonesa Qdenga, em duas doses, para pessoas de 10 a 14 anos. Esse imunizante foi incorporado no final de 2003 ao Plano Nacional de Imunização (PNI) do SUS, e continuará sendo disponibilizado para essa faixa etária no mesmo formato. As doses seguem disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município, nas zonas urbana e rural.

A secretária municipal de Saúde, Vivian Feijó, enfatizou que a vacinação contra a dengue para os agentes de saúde é medida fundamental de proteção aos que estão diariamente na linha de frente pelo combate ao mosquito Aedes aegypti. “Esses profissionais visitam residências, entram em áreas de risco e têm uma exposição maior à doença. Garantir a imunização é cuidar de quem cuida da população. Além de proteger a saúde desses trabalhadores, essa ação fortalece toda a estratégia de prevenção e controle da dengue no município”, afirmou.

A diretora de Vigilância Ambiental da SMS, Fernanda Fabrin, destacou que a vacinação é uma das estratégias mais eficazes de proteção em saúde pública, especialmente para os profissionais que atuam diretamente no enfrentamento das arboviroses no território. “Nesse primeiro momento, estamos conseguindo oferecer a imunização entre equipes que estão diariamente expostas durante atividades de campo, assistência e vigilância. Na prática, isso significa maior proteção aos profissionais, manutenção da capacidade de resposta dos serviços de saúde e mais segurança para a população atendida”, observou.

Foto: Butantan / divulgação

Fabrin acrescentou que a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan representa um avanço de grande valia para o país, por ser a primeira vacina contra a dengue 100% brasileira e de dose única. “É um passo muito importante, pois facilita a estratégia de imunização e amplia o potencial de proteção da população. É um marco científico e uma nova ferramenta no combate à dengue, com impactos que, futuramente, reduzirão drasticamente os casos e também as mortes”, frisou.

Segundo o gerente de Vigilância Ambiental da SMS, Nino Ribas, a imunização de um grande número de profissionais em Londrina é uma medida extremamente importante para a proteção da força de trabalho que atua diretamente no atendimento à população e na manutenção dos serviços públicos. “Quando garantimos que esses trabalhadores estejam protegidos, reduzimos o risco de afastamentos por doença, mantemos a continuidade dos serviços essenciais e protegemos também os cidadãos que entram em contato com esses profissionais diariamente”, analisou.

Do ponto de vista prático, conforme o gerente, essa estratégia fortalece a rede de saúde, diminui a circulação de doenças imunopreveníveis e contribui para um ambiente de trabalho mais seguro. Além disso, a vacinação em massa de profissionais demonstra o compromisso do Município com a prevenção, que é sempre a estratégia mais eficaz e econômica dentro da saúde pública. “Como gerente da Vigilância Ambiental, avalio essa medida como estratégica. A prevenção é um dos pilares da saúde pública, e quando conseguimos ampliar a cobertura vacinal entre trabalhadores estamos protegendo não apenas indivíduos, mas toda a comunidade. Isso reforça a capacidade do município de responder a riscos sanitários e manter a população mais segura”, concluiu.

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