Os casos de dengue seguem indicando queda expressiva ao longo de 2026, na comparação com o ano anterior, em Londrina. O boletim divulgado pela Prefeitura nesta quinta-feira (23), por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), traz nove novos casos confirmados, totalizando 1.301 ocorrências da doença no município, ao longo deste ano. O número é 72% menor que o registrado no mesmo período em 2025, quando já havia mais de 4,7 mil casos confirmados da doença, nesta mesma data.
O número de óbitos também caiu, na proporção de 78%: nove mortes por dengue foram registradas nas 29 primeiras semanas de 2025 e neste ano, até o momento Londrina registrou dois casos fatais da doença. O novo boletim traz ainda o número atualizado de notificações, que somam 10.408 neste ano; 8.162 deles já estão descartados, e 945 estão em análise.
A coordenadora do Controle de Endemias da Vigilância em Saúde da SMS, Cássia Fernanda de Sales, destacou que, embora os números reflitam um cenário epidemiológico mais favorável, os cuidados com a eliminação de possíveis criadouros do mosquito da dengue não podem parar. “Apesar da redução, a população não deve relaxar nos cuidados. A eliminação de recipientes que acumulam água, a manutenção dos quintais limpos e a colaboração da comunidade continuam sendo fundamentais para impedir a proliferação do mosquito Aedes aegypti”, alertou.
Método Wolbachia complementa ações
A profissional informou que a Diretoria de Vigilância em Saúde da SMS segue monitorando a situação epidemiológica e realizando as ações de controle de forma intensiva, o que inclui inspeções de campo, o emprego de drones para vistorias aéreas, ações de limpeza, o recolhimento semanal das ovitrampas – para coleta, contabilização e descarte dos ovos do mosquito antes da eclosão – e a estrutura para o recebimento de chamados.
A população pode solicitar vistorias para imóveis próprios ou de terceiros, pelo telefone 0800-400-1893 (de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 16h), ou a qualquer hora do dia por um formulário online.

Outra ação importante para o combate à transmissão da dengue, zika e chikungunya é a implantação do Método Wolbachia. A estratégia consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, capaz de reduzir a transmissão dos vírus causadores dessas doenças. Uma primeira fase do projeto, concluída em 2025, cobriu 60% do município. Neste segundo semestre, o trabalho deve retornar a campo, proporcionando uma ampliação da cobertura para toda a área urbana de Londrina.
A Vigilância em Saúde trabalha na preparação da estrutura física que irá abrigar a produção dos mosquitos protegidos pela bactéria Wolbachia, enquanto as equipes do município passam por treinamentos para atuar na nova etapa do projeto. Um destes encontros entre os agentes municipais e os especialistas da empresa responsável pela produção dos insetos, a Wolbachia do Brasil, ocorrerá na tarde desta quinta-feira (23), de forma online.
“Esta será uma capacitação de Reconhecimento de Campo para o Método Wolbachia em Londrina, que é uma etapa fundamental para o planejamento e a execução das atividades de liberação dos mosquitos. Nossos agentes conhecerão os procedimentos operacionais e as boas práticas necessárias para garantir a qualidade, a segurança e a eficiência das atividades em campo”, detalhou Sales.
El niño pode causar aumento das arboviroses
O Ministério da Saúde emitiu recentemente uma nota técnica com predições baseadas nas previsões de incidência do fenômeno El Niño pela Organização Meteorológica Mundial (WMO) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O órgão afirmou que o El Niño pode se manifestar de forma moderada a forte, favorecendo condições que ampliam a circulação do mosquito Aedes aegypti, a partir do segundo semestre desse ano, principalmente de outubro em diante.
De acordo com o documento, estados e municípios devem intensificar as ações de vigilância e controle da dengue. “A colaboração da população também é fundamental”, afirma a nota, que orienta sobre a eliminação de possíveis criadouros do mosquito em residências, atenção aos sinais e sintomas das arboviroses e a procura imediata por atendimento de saúde.
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