Duas curvas. Cinco espirais no ar. Era início da tarde de 9 de agosto de 2024 quando moradores de Vinhedo (SP) viram o voo Voepass 2283 perder totalmente o controle no céu e, logo em seguida, despencar no quintal de uma casa em um condomínio. Ninguém sobreviveu.
Nos 81 segundos que a aeronave levou para atingir o solo após a perda total de controle, a velocidade da queda chegou a 440 km/h. A trágica dança do ATR 72-500 naquela sexta-feira fria terminou com uma marca no chão e, surpreendentemente, sem ferir ninguém em solo em meio a um bairro repleto de casas.
Entre passageiros e tripulantes, 62 histórias foram interrompidas abruptamente em um acidente que ainda não tem respostas definitivas. Isso porque o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), o único documento capaz de apontar as causas da queda, não tem data para ser divulgado. A expectativa do órgão é que ele saia até o fim de 2025.
O dia da queda
Sexta-feira, 9 de agosto de 2024. Uma frente fria derrubou as temperaturas no Centro-Sul do país. Na região de Vinhedo, o dia começou totalmente nublado, assumindo um tom de cinza que, um ano depois, segue marcado na memória de vizinhos do condomínio como um sinal ou presságio.
Fazia frio e chovia incessantemente. O relatório preliminar do Cenipa revelou que, em altitudes mais elevadas, havia bastante umidade e temperaturas abaixo de zero. Isso favoreceu a formação de gelo severo nas aeronaves (chamado de FGA), especialmente entre o Norte do Paraná e São Paulo.
Esse gelo se concentrava, principalmente, entre 3.600 e 4.200 metros de altitude, podendo chegar até 7 mil metros em alguns pontos em São Paulo. A previsão também indicava turbulência moderada a severa a partir de cerca de 6 mil metros de altitude e se estendendo acima dos 7.600 metros.
Imagens obtidas pelo g1 mostram o momento em que os primeiros passageiros formaram uma fila no portão de embarque e, pouco depois, caminharam pela pista do Aeroporto Regional do Oeste, em Cascavel (PR), em direção à aeronave.
O relógio marcava 10h59. Rafael e Liz, pai e filha, eram os primeiros na fila para o embarque. Ela, serelepe como toda criança de 3 anos, esperava ansiosa pelos próximos passos da viagem rumo a Florianópolis (SC), onde os dois passariam juntos o Dia dos Pais.
Alguns minutos depois, outros passageiros se juntaram à fila. Os motivos para cada um estar ali eram vários: havia quem estivesse a caminho das férias, pagando promessas, viajando a trabalho ou para visitar a família. Leia aqui as histórias de cada uma das vítimas.
Assim que embarcou, Rosana mandou uma mensagem no grupo da família preocupada. “Que medo desse voo, juro, avião velho. Tem uma poltrona quebrada, caos”. Maria Auxiliadora e José Cloves aproveitaram para mandar uma selfie de dentro do avião à única filha.
11h41. O copiloto da aeronave, Humberto Alencar, se preparava para iniciar a viagem em direção a Guarulhos, e aproveitou uma breve pausa para enviar um áudio à esposa, Rosana Ferreira, detalhando o percurso em direção a Cascavel.
Com informações:G1/Foto: Miguel Schincariol/AFP
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