O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) é uma das principais portas de acesso da população às urgências e emergências no Paraná. Hoje, o serviço está presente e atua nos 399 municípios do Estado, mas nem sempre foi assim. Em 2019, a cobertura regionalizada da rede contemplava apenas 68% do território paranaense, deixando grandes vazios assistenciais em diversas regiões. Para reverter esse cenário, o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde (Sesa), implementou um plano estratégico focado em centralização tecnológica e expansão de frotas avançadas, garantindo que o socorro médico chegue com a mesma agilidade e eficiência a qualquer cidadão, em todos os cantos do Paraná.
O avanço histórico é fruto de um planejamento estratégico que aliou a expansão de bases físicas, unificação tecnológica por meio do sistema Care, custeio qualificado e treinamento com certificação internacional para as equipes de socorro. Para o secretário de Estado da Saúde, César Neves, a universalização do Samu representa o maior legado da saúde pública na história recente do Paraná.
“Assumimos o compromisso, sob a diretriz do governador Ratinho Junior, de descentralizar a saúde e levar atendimento imediato a cada paranaense, independentemente de onde ele resida. O Samu operando nos 399 municípios com um sistema único e moderno conectado à rede do Estado salva vidas diariamente. O Samu 192 no Paraná deixou de ser um mosaico de serviços isolados para se tornar uma rede robusta, eficiente e de referência nacional”, acrescentou.
No início da gestão, em 2019, o cenário do atendimento de urgência era fragmentado. Regiões importantes como Ponta Grossa (3ª RS), Guarapuava (5ª RS) e Pato Branco (7ª RS) operavam com sistemas próprios isolados.
A grande virada ocorreu a partir de 2020 com a implantação do Sistema Care, unificando o atendimento telefônico e a regulação médica em todo o Paraná. Os dados extraídos dos relatórios oficiais do sistema traduzem o impacto dessa cobertura total. Em todo o ano de 2019, a rede registrou 772.931 ligações telefônicas.
Com a expansão, a otimização dos recursos e a eliminação de redundâncias, a rede consolidada gerenciou 1.245.276 ligações reguladas no ano de 2025. Já neste ano, os dados atualizados até meados de junho apontam para 580.438 recebidas, consolidando o ritmo de alta resolutividade e prontidão no atendimento à população.
A regionalização também reorganizou geograficamente a eficiência do atendimento. Um dos exemplos foi a migração estratégica da Central de Regulação de Urgência (CRU) do Litoral para a Central Metropolitana, gerando ganho de escala e suporte especializado. Em 2025, o Samu Metropolitano (Curitiba e RMC) liderou o volume operacional com 403.129 atendimentos regulados, seguido pela região Norte (Londrina), com 194.540 atendimentos.
A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, diz que o sucesso do Samu vai além do transporte de pacientes. Segundo ela, a universalização do serviço permitiu mapear os principais agravos à saúde da população em tempo real. “O Samu moderno funciona como uma peça estratégica de vigilância e resposta rápida, conectando o atendimento diretamente à nossa rede de alta complexidade”.
MEDICAMENTO – Um dos marcos clínicos mais impactantes foi a introdução, em 2020, do medicamento de última geração Tenecteplase (TNK) em todas as Unidades de Suporte Avançado (USA – UTIs móveis) e aeronaves de resgate. Com essa iniciativa, o Paraná passou a ser o único estado do Brasil a utilizar o trombolítico no Atendimento Pré-Hospitalar (APH), ou seja, antes mesmo da hospitalização do paciente. Ele é utilizado para desobstruir artérias nem casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) Isquêmico e no infarto agudo do miocárdio.
Atualmente, o medicamento, cujo custo é de R$ 8.371,24 por ampola, está disponível em 59 ambulâncias de suporte avançado do Samu e em seis aeronaves de urgência do Estado. Desde o início do programa, foram utilizadas mais de 1.800 ampolas de TNK, representando um investimento superior a R$ 15 milhões exclusivamente no combate direto à principal causa de mortes cardiovasculares no Estado.
Aplicado pelas equipes ainda durante o trajeto, o fármaco desobstrui a artéria bloqueada, restabelece o fluxo sanguíneo e reduz drasticamente os danos ao músculo cardíaco. A agilidade no atendimento alivia sintomas graves, como a dor no peito e a falta de ar, diminuindo o risco de complicações severas, como insuficiência cardíaca e arritmias, e garante um quadro clínico estabilizado e seguro até a chegada ao hospital de referência.
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