O Paraná viu cerca de 150 hospitais fecharem as portas ao longo da última década. É isso o que revelam dados do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná (Sindipar), que alerta para o cenário de forte pressão financeira que o setor vive. Uma situação que tem provocado ainda o “travamento” do crescimento operacional de hospitais, que enfrentam dificuldades para equilibrar fluxo de caixa, ampliar investimentos, renovar estruturas, contratar profissionais e expandir serviços.
Sempre de acordo com o sindicado, a maioria das 150 instituições hospitalares que fecharam na última década eram de pequeno e médio porte e funcionavam no interior do Paraná. O fechamento dessas instituições ocorreu devido à falta de equipes jurídicas e médicas especializadas para fazer frente a um problema que ainda se faz presente. São as chamadas glosas, quando operadoras de saúde recusam total ou parcialmente o pagamento de procedimentos, exames ou internações realizados pelos hospitais. A demora no pagamento dos serviços prestados também é outra reclamação.
Segundo o presidente do Sindipar, Álvaro Quintas, a situação preocupa porque as glosas comprometem diretamente a sustentabilidade da rede hospitalar privada. “O hospital atende o paciente imediatamente. Ele não pode esperar. Precisa manter equipe médica, enfermagem, medicamentos, tecnologia e estrutura funcionando 24 horas por dia. Mas os pagamentos seguem represados por discussões administrativas e comerciais que se arrastam por meses”, afirma.
Operadoras batem recordes, mas hospitais sofrem estrangulamento
O Sindipar ainda cita dados da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) para apontar que, enquanto as operadoras registraram resultados financeiros recordes em 2024 (R$ 11,1 bilhões de lucro líquido, aumento de 275% em relação ao ano anterior), os hospitais convivem com queda nas margens operacionais, aumento das despesas e dificuldades de caixa.
A Anahp mostra que 62,64% dos seus hospitais associados projetavam 2025 como mais desafiador que 2024. A margem EBITDA dos hospitais caiu 40% em 2025 e até 41% dos estabelecimentos reduziu investimentos em 2024 por causa do estrangulamento de caixa.
Glosas atingem níveis históricos e descredenciamentos também preocupam
As glosas, por sua vez, atingiram níveis históricos em 2025. Dados da Anahp mostram que a glosa inicial chegou perto de 18% em alguns períodos do ano, enquanto o prazo médio de recebimento dos hospitais ultrapassou 78 dias. As operadoras de planos de saúde reteram R$ 5,8 bilhões em serviços prestados via glosas em 2024. Isso representou 15,89% do faturamento total dos hospitais.
Com informações:Bem Paraná/Foto: Franklin de Freitas
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