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Do campo para a cantina: Agricultura Familiar amplia alimentação saudável nas escolas de Londrina

A alimentação de 45 mil estudantes da rede municipal de educação de Londrina tem um importante reforço para garantir produtos saudáveis à mesa, todos os dias: frutas, verduras, legumes e produtos artesanais da agricultura familiar estão presentes na merenda de 198 unidades escolares, incentivando os bons hábitos alimentares desde a infância. Do lado da produção, estes alimentos são fornecidos por quatro cooperativas que reúnem famílias agricultoras, auxiliando na geração de renda para o campo e no apoio ao cultivo com sustentabilidade ambiental.

A aquisição dos produtos está alinhada com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que atualmente estabelece um índice de 45% de destinação dos recursos para a produção local de matéria-prima na merenda escolar. Em 2025, a Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Educação, destinou R$3,7 milhões às compras de produtos da agricultura familiar, o que representa aproximadamente 52% do valor disponibilizado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para o município. O custo total com a merenda escolar em Londrina, em todo o ano, foi de R$22,8 milhões.

Para a secretária municipal de Educação, Thatiane Araújo, o acesso a uma alimentação equilibrada impacta diretamente na capacidade de concentração, aprendizagem e disposição nas atividades escolares desses alunos. Ela acrescenta que a escola desempenha um papel essencial na formação de hábitos alimentares, contribuindo para que as crianças levem esse aprendizado para dentro de suas casas. “A alimentação saudável é fundamental no processo de desenvolvimento das crianças, especialmente na faixa etária atendida pela rede municipal. Por isso, investir em uma alimentação de qualidade é investir no presente e no futuro das nossas crianças”, afirmou.

Devair Rodrigues e Vanduir Batista de Camargo fazem entregas pela Coafas. Foto: Rhayssa Fernandes / estagiária NCom

Uma das quatro cooperativas que trabalham ativamente no abastecimento das escolas é a Cooperativa de Agricultura Familiar Solidária (Coafas), que foi a primeira a aderir ao programa dentro do município. Ela foi fundada em 2008, por iniciativa de um grupo de 30 agricultores do distrito de São Luiz, e desde 2012 atua no fornecimento de alimentos para a merenda escolar. Segundo o gerente geral da Coafas, Denilson Eduardo Saraiva, o programa traz diferentes benefícios para o agricultor. “O programa de alimentação escolar é importante para a cooperativa porque ajuda os agricultores, evita o êxodo rural e ajuda na associação familiar. Se o agricultor tem a garantia de venda, isso faz a família ficar no campo e produzir mais”, explicou. Hoje, a Coafas fornece uma diversidade de produtos para a alimentação nas escolas: hortaliças, frutas, temperos, legumes, tubérculos, polpa de fruta e panificados.

Além das vantagens para os agricultores, a participação da cooperativa nessa distribuição de produtos aumenta a segurança alimentar e o bem-estar dos alunos, como conta Vanduir Batista de Camargo, motorista da Coafas há dez anos: “Eu acho muito legal o trabalho da prefeitura junto com as cooperativas. É muito importante incluir desde pequenininhos essa alimentação mais saudável”. Durante uma entrega de batata-doce e bananas orgânicas para a Escola Municipal Miguel Bespalhok, Vanduir destacou a felicidade em trabalhar com este transporte. “É muito gratificante, porque eu tenho filho e sobrinhos que estudam, então a gente sempre faz com amor como se fosse pra gente. Temos que entregar sempre o melhor e a gente realmente ama fazer isso, porque é muito bom você ver o sorriso das crianças todos os dias”, contou.

Francielle, Erica e Janaína, à frente da cozinha na EM Miguel Bespalhok. Foto: Rhayssa Fernandes / Estagiária NCom

Hora da merenda

Quando esses produtos chegam às unidades escolares, são avaliados e preparados para serem incluídos no cardápio, como explica a técnica em Nutrição, Erica Camargo Cruz. Ela  acompanha de perto todo o processo juntamente com as merendeiras. “Eu entro junto com elas às 7h e acompanho o pré-preparo, o servimento, olho o estoque, a qualidade desse produto. Também acompanho as entregas e o cardápio, conferindo se tem todos os ingredientes para os preparos durante a semana. O produto da agricultura familiar é de boa qualidade e faz a diferença”, disse.

A Escola Municipal Miguel Bespalhok é uma das que a técnica acompanha, em parceria com as merendeiras Janaína Lima Rufino e Francielle Berto de Souza. Para Janaína, ver que as crianças se alimentam de maneira saudável e gostam das comidas que provam é motivo de felicidade. “É muito importante, porque tem criança que não aceita certo tipo de alimento em casa. E aqui, na convivência, a gente vai conversando, vai ofertando e eles acabam aceitando e gostando do produto. Quando a gente agrada alguma criança é uma conquista”, disse Rufino. A companheira de cozinha também compartilha como o gosto das crianças pela comida oferecida na escola alegra as merendeiras. “A gente faz com amor e o que a gente mais gosta é quando vê o fundo das panelas, que a comida foi toda”, afirmou.

No refeitório da escola, os alimentos são muito bem-vindos pelos estudantes. De acordo com José Guilherme, Lorena e Maria Eduarda, do 3° ano, a comida é muito boa. “Eu acho bem gostosa todo dia, eu amo”, avaliou Maria Eduarda. De acordo com a diretora auxiliar Aglaé Costa de Souza, as frutas chamam a atenção e são o alimento preferido pela maioria dos 550 alunos atendidos pela unidade escolar.

Educação em diálogo com o pequeno agricultor

A inserção dos produtos da agricultura familiar na merenda é feita sempre em diálogo com as famílias responsáveis pelo cultivo. A Gerência de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação tem como prática a realização de pesquisas e o incentivo à produção dos gêneros mais utilizados na alimentação escolar. Atualmente, os produtos recebidos são: polpa de frutas, legumes, verduras, frutas, entre elas a banana orgânica; nhoque de soja, feijão carioca, feijão preto, fubá, farinha de milho, alho e cebola. São atendidas 88 escolas, 34 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), 70 Centros Educação Infantil Filantrópicos (CEIs) e seis unidades de educação especial.

Neste ano, a Secretaria prepara um novo edital para viabilizar a compra de alimentos orgânicos e de produtos específicos para o atendimento a crianças com restrições alimentares, como pães e bolos sem glúten e sem lactose e suco natural sem açúcar preparado com frutas orgânicas – processo que também teve o envolvimento dos produtores. A iniciativa reforça o compromisso da Prefeitura de Londrina com a qualidade da alimentação oferecida aos alunos, aproximando o campo da cidade e promovendo uma alimentação mais nutritiva para a rede municipal.

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